1. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    16/04/2004 05:49

    A abordagem policial tem amparo constitucional. É um breve cerceamento da liberdade de ir e vir para, mediante fundada suspeita, que se faça uma busca pessoal com o intuito de se localizar objetos ilícitos. É algo delicado, para a maioria constrangedor. O cidadão é honesto, sabe que é honesto, a sua esposa lhe prepara o "marmitex", coloca na sacola, ele sai para a rua e a Polícia revira a sacola. Ele acha aquilo um absurdo, a Polícia tinha que prender bandidos! Adiante, a Polícia aborda outro cidadão, com outra sacola, aparência até semelhante ao do outro abordado. Há um cartão de banco com nome de uma mulher. Desconfiados, os policiais checam a fundo, e o cidadão confessa que o cartão é de uma refém de seqüestro e indica o local do cativeiro. Lá vão os policiais e libertam uma mulher.
    Cito esses exemplos pois atuo na Polícia Militar de São Paulo como Oficial há 8 anos. Já abordei cidadãos como o primeiro e como o segundo que mencionei.
    Aprendemos em nossos cursos de formação modelo de abordagem que oferece segurança para a população e para o policial. Erros, e muitos, acontecem.
    Pergunto aos senhores, pois vejo que freqüentam este site interessados em Direito:
    1) Qual outro meio o Policial teria para localizar uma arma na cintura de alguém?
    2) Sendo amparado por Lei, o Policial deveria pedir desculpas após abordar alguém que nada tem em desacordo com a Lei, ou ao menos se explicar do porquê da abordagem?
    3) A Polícia já te abordou? Foi correto? Houve abuso?
    4) Você já foi abordado com educação?

    Senhores e senhoras, essas 4 perguntas ajudam o nosso serviço a ser melhorado para todos. Peço que respondam com a educação e o zelo que costumam responder às demais questões, afinal, isso é um debate.
    E fico feliz e grato com a ajuda.

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  2. Marcelo | Estagiário / João Pessoa
    16/04/2004 17:45

    Perfeito Sr. Luciano,

    Acredito que existe sim muita corrupção na polícia, mas acredito ser a grande maioria pessoas honestas e acima de tudos respeitadores da lei. Falta, com certeza, para alguns o devido treinamento, recicalgem e educação.

    Acontece é que algumas "Maças podres" fazem esta abordagem contrariando princípios constitucionais. Vemos e revemos princípios como: Toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. No entanto alguns possuidores da fé pública tratam os cidadãos como bandidos.

    Com relação às suas perguntas, a número 2 em minha opinião seria sim, visto que o pedido de desculpas é uma forma de demonstrar educação, embora acho que o policial não deve ser punido se não o fizer.

    Achei super relevante seu levantamento e tenho certeza que se todos os policiais e demais agentes que estão em favor da sociedade agirem assim, nosso país e população tem muito a ganhar.

    Abs,

    Marcelo

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  3. Rafael Meireles Silva | Estudante de direito / RIO DE JANEIRO
    16/04/2004 17:45

    Olá Tenente, estou adorando o debate pois moro em uma comunidade carente e sou vitima de abordagem policial quase sempre, alguns agem de maneira legal, nos respeitam, pedem identificação e depois nos liberam sem mais problemas.

    Também somos abordados fora da comunidade, uma vez policiais civis pediram a alguns que ficassem somente de cueca( no meio da rua) vendo aquilo achei um absurdo certamente eles estavam abusando do poder, infelizmente não pude fazer nada.
    Mais tudo bem, o senhor diz que a policia é respaldada pela lei para tal operação, gostaria de saber aonde estão esses artigos, não é rebeldia com o senhor, apenas gostaria de me informar melhor.

    Respondo as suas perguntas:
    1) Qual outro meio o Policial teria para localizar uma arma na cintura de alguém?

    1- Ok! Sem revistas os policiais não achariam armas nem entorpecentes.

    2) Sendo amparado por Lei, o Policial deveria pedir desculpas após abordar alguém que nada tem em desacordo com a Lei, ou ao menos se explicar do porquê da abordagem?

    2-Primeiramente o policial deve pedir desculpas. E depois deve fundamentar, muito bem a sua explicação. Pois esse cidadão que foi abordado perdeu o seu direito á liberdade, direito de ir e vir e acima de tudo teve a moral atingida por culpa da abordagem. Uma maioria não pode pagar por uma menoria.
    3) A Polícia já te abordou? Foi correto? Houve abuso?

    3- A policia já me abordou diversas vezes, poucas com educação e na maioria com autoridade e abuso de poder.
    A que eu considerei pior foi no transito. Era final de semana (sabado), duas horas da tarde eu e meu irmão íamos até a casa da minha namorada, quando derrepente a sirene do carro da policia (PM) começou a tocar, eu estava no volante e imediatamente parei o veículo quando percebi que eles tocavam a sirene pra gente. Eram 3 poliais, dois com fuzis e um com pistola, a rua estava cheia de carros e de pessoas, nós encostamos e eles já saíram do carro nos apontando as armas como se nós fossemos procurados, as pessoas que passavam no local deviam estar pensando que nós fossemos realmente bandidos, sei lá, mais a maneira que eles nos apontavam as armas, pareciam que iam nos matar. Fiquei assustado.
    Um deles mandou que agente desmbarcassem já foram me virando e me revistando perguntaram pq eu estava nervoso(também da meneira que eles nos abordaram quem não ficaria nervoso) viram os nossos documentos e os documentos do carro, quando viram que não encontraram nada devolveram nossos documentos e desejaram um bom final de semana pra gente( brincadeira né tenente, bom final de semana depois daquela cena de filme!!!) Depois eu perguntei o pq da abordagem eles gaguejaram e não souberam explicar, talvez fossemos suspeitos? mais eles não nos explicaram nada e não havia necessitade de tal atitude deles.
    Tenente repito se isso for assegurado aos policiais pela lei gostaria de saber aonde estão esses artigos.
    E repito, a maioria não deveria pagar pela menoria.
    valeu tenente, também gosto desse tema.
    Escrevo para um jornal comunitário e gostaria de escrever sobre esse tema para o próximo número do jornal, por isso estou insistindo na fundamentação da lei.

    Obrigado
    Abraços
    Rafael

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  4. João Paulo Fanucchi de Almeida Melo | Oficial de Apoio Judicial e estudante 5º´perído / Divinópolis / MG
    16/04/2004 20:21

    Caro Luciano,

    Vou responder as suas perguntas, conforme meus pensamentos:

    1) Não existe outra forma de achar uma arma, se não for pelo meio de revista.
    2) Pedir desculpas não é necessário, mas, a explicação sim. É somente dessa forma, que o cidadão poderá entender tal abordagem.
    3 e 4) Nunca fui abordado "por sorteio".

    Depois de respondidas as perguntas feitas, com a experiência do Sr., e por curiosidade minha, faço-lhe as seguintes indagações?;

    Qual é o critério utilizado pela polícia para abordar uma pessoa na rua? Quando alguém é ou não é suspeito para um PM? Existe discriminação para a realização da abordagem?

    Abraço.

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  5. Michel Luidy Machado | Advogado / Curitiba
    17/04/2004 01:12

    Bem amigo, a princípio, sou a favor da abordagem policial, afinal, é um necessário ao cidadão de bem, pois é uma forma de fiscalização e de prevenção.
    Sobre a primeira pergunta, certamente não faço idéia.
    Sobre a segunda, não creio que desculpas, mas uma explicação do que estaria ocorrendo, se aquilo é uma blitz, uma abordagem isolada, e neste caso, o motivo que aquela pessoa foi abordada. Algo levou aquela pessoa a ser abordada, acredito que esse porquê é que tem que ser levado a tona.
    Ja fui abordado, em Curitiba e em Santa Catarina, nesta, fui tratado dignamente e foi-me relatado qual o motivo que me pararam, naquela era uma blitz, e os caras não foram muito camaradas, sendo inclusive arrogantes no momento em que o meu colega perguntou algo (nada ofensivo) e o policial mandou enconstar no carro e falou outras besteiras. Mas depois que viram que não tinahmos nada, foi pedido desculpas a nós.
    Como falei, em Santa Catarina, já fui abordado com educação, talvez por ser em uma cidade de médio porte (50.000 habitantes), onde se trabalha com menos tensão.
    Em cidades grandes, a tensão é maior, o que dificulta o trabalho da polícia, e em certos casos, exige certas atitudes.
    Voltando a primeira pergunta, acho que colocando a polícia mais perto da comunidade, para que esta, torne-se um aliado dos policiais. Vi uma reportagem na TV, na emissora regiuonal certa vez, que em Lages/SC (cidade com 150.000 habitantes) foi instituida a polícia nas comunidades e melhorou em muito os resultados.
    Amigo, era isso que tinha para o momento, espero ter ajudado em algo.
    Desejo-lhe que faça um bom trabalho

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  6. Michel Luidy Machado | Advogado / Curitiba
    17/04/2004 01:31

    Outra coisa que me esqueci, uma vez estava voltando da balada, e fui abordado, fiquei 40 minutos dando explicação.
    No início, me falaram que os documentos do carro estavam atrasados, mas eu tinha certeza que não, pois não estava com o meu carro justamente por esse motivo, pois o meu pai estava renovando a documentação em Santa Catarina e eu estava com o carro dele aqui (um vectra). Somente fui liberado, depois que falei que o meu pai era policial rodoviário (o que efetivamente é verdade).
    O que me indignou, é que me falaram um monte, e após eu falar que eu era filho de policial, falaram que o documento estava correto, aí eu perguntei, porque vc falou que estava atrasado? Ele se enrolou e não me explicou, somente falou para ru ir para casa. Falou que eu furei um sinal vermelho, e eu disse que era lógico, e que iria furar outros, afinal era de madrugada, e tenho parente que já foi assaltado no sinal. Claro que na hora de furar, reduzo para certificar-me que não vem nenhum outro carro em sentido contrário.
    Digamos que essa foi a unica vez que me causou certa mágoa, afinal, era 4:00 da manhã, estava indo para casa da balada (logicamente tinha tomado uma cervejinha) e o cara me para e começa a folgar comigo.
    Fazia pouco tempo que eu estava morando em Curitiba, e não conhecia como era cidade grande, então fiquei meio nervoso na ocasião, mas no final me liberaram.
    Uma coisa que observei, acho que a abordagem que eles fizeram não foi correta, pois estavam em dois, enquanto um me abordava, o outro ficou no carro, não deu nem bola. Acho que ele devia sair do carro, e ficar alerta, pois se eu fosse um bandido e estivesse acompanhado, seria fácil para pegar os dois com o outro dentro do carro. Gostaria de saber se estou correto nesse quesito.
    Obrigado

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  7. Delano | Oficial do MP / Coronel Fabriciano
    17/04/2004 11:38

    1) Existem dispositivos eletronicos para detectarem tais instrumentos, embora, particularmente, creio q, alem de gastos exagerados, seriam de eficacia reduzida.
    2)Seria, antes de tudo, uma questao moral e nao legal, o policial explicar o motivo da busca, ate msm para aumentar a confiabilidade do desfavorecido na instituiçao.
    3)Sim. Em 4 abordagens, apena uma foi incorreta. Estava numa festa publica numa cidade do interior de Minas, onde nao havia mictorios disponiveis, fui "tirar a agua do joelho" num cantinho pouco movimentado e os policiais chegaram com desnessaria violencia, me deram ate uns tapas na nuca. No dia seguinte procurei a Promotoria, mas isso ja e outra historia.
    4)Sim.

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  8. Paulo Spin | Func.Púb.Est. / São Joaquim da Barra/Sp.
    17/04/2004 14:16

    Meu caro Luciano:

    Queria cumprimentá-lo pela sua preocupação em melhorar a atuação de seus comandados. Entendo que, embora legal a atuação do policiamento ostensivo preventivo, sobretudo para prender indivíduos em flagrante de crimes de natureza permanentes, muitas vezes observamos excessos o que se torna abusos injustificáveis. Acredito que o policial deva ser muito bem preparado para a abordagem, sobretudo pela sua própria segurança, não se justificando que a maioria dos cidadãos paguem com má educação e arrogância por uma minoria criminosa. É preciso haver critérios para essa abordagem. Explicar ao cidadão o motivo da busca é um bom começo.S.m.j. é o que penso.

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  9. MARCO AURELIO | ESTUDANTE / RIO DE JANEIRO
    17/04/2004 21:09

    SENHOR TENENTE,
    MORO NO RIO, HOJE É 17/04/2004, SÃO 21h05m E NESTE MOMENTO ESTOU ESCUTANDO TIROS PROVENINETES DA ROCINHA.
    ACHO SIM, QUE A POLÍCIA TEM QUE DAR "DURA" EM QUALQUER PESSOA, NÃO SE IMPORTANDO COM O CONSTRANGIMENTO, APENAS TRATANDO COM EDUCAÇÃO.
    POIS MUITAS PESSOAS QUANDO SÃO ASSALTADAS, A PRIMEIRA COISA QUE PERGUNTAM É: CADÊ A POLÍCIA QUE NÃO VÊ ESSES SUJEITOS, CADÊ AS BLITZ?
    JÁ FUI ABORADA ALGUMAS VEZES EM REVISTAS EM ÔNIBUS E COLABOREI COM A MAIOR BOA VONTADE, ENQUANTO QUE A MAIORIA DAS PESSOAS, POSSIVELMENTE SENTIDO-SE "IMPORTANTES", TORCEM O NARIZ E SE ACHAM DISCRIMINADAS.
    TEM QUE HAVER REVISTAS BLITZ SEMPRE, POIS DE VEZ ENQUANDO TEM LOUCOS ANDANDO ARMADO EM SEUS CARROS, PRONTOS PARA ATIRAR QUANDO ALGUÉM LHES DÃO ALGUMA FECHADA.

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  10. Clarice Dias | Universitária / São Pedro da Aldeia
    18/04/2004 16:13

    Gostaria de primeiramente agradecer-lhe por mostrar o outro lado da Polícia Militar do nosso país, pois, diante de tantos absurdos, essa Instituição não pode ver seu nome ser sabatinado de forma redundante, e simplesmente se omitir. O Policial Militar, como você mesmo já citou acima, é amparado pela Lei para efetuar as possíveis e necessárias averiguações, sabemos que existem alguns sujeitos que praticam uma conduta diversa, porém esses indivíduos, se encontram em todas as áreas, pois o caráter é de foro íntimo, e será estruturado através da família. Esta sim, está perdendo cada vez mais o seu valor, daí, temos a guerrilha urbana.

    Interessante que nesta semana, ouvi um fato curioso, onde um rapaz indignado por um policial ter pedido os seus documentos para averiguação, desacatou, humilhou o policial, obrigando assim, que este efetuasse sua prisão. O rapaz ainda se sentiu no direito de processar o Estado por constrangimento ilegal.

    Ora, vamos imaginar uma semana, sem o trabalho da Polícia e veremos o qual é necessária suas abordagens, nos garantindo um pouco de segurança, porque totalmente seguro, só estaremos, quando a questão da violência for abraçada por toda a sociedade.

    Um abraço Ten. Luciano, e parabéns pela sua iniciativa!!!!!

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  11. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 22:06

    Marcelo, acho que assim como o médico tem que saber usar seus instrumentos, os odvogados têm que saber manusear os livros das Leis, nós policiais devemos dominar nossos instrumentos também, que são, ao meu ver, primeiramente três, e coloco-os na ordem de importância que sigo: diálogo, abordagem e arma de fogo.
    São nossos alicerces, devemos saber usar tais meios, com prudência e legalidade, acima de tudo.
    Estaria eu querendo ser mais realista que o rei se negasse que há corrupção em nosso meio. Existe, existe sim. Será que alguém ainda duvida? Temos órgãos corregedores para combatê-las.
    A corrupção é carimbo do Brasil em quase todos os segmentos, polícia, política, religião, direito, e demais.
    O Policial como homem pode sucumbir.
    O ser humano cresce e adquire uma personalidade. Digamos que ele tem tendência à corrupção. Sorte do ramo que ele não seguir, pois uma vez policial, mesmo com treinamento, será corrupto, se advogado, corrupto, se empresário, corrupto.
    Dizem que desde que Caim matou Abel os crimes começaram. E até hoje nos envergonham alguns deles.
    Respondo ao seu comentário porque respeito seu interesse e preciso dele.
    Sucesso para você.

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  12. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 22:43

    Olá Rafael!
    Deixar abordados de cueca no meio da rua, creio que nunca li isso na cartilha em que nos ensinam os procedimentos! Considero constrangedor, desumano, ridículo e imoral esse ato. Talvez exibicionismo, ou problemas de auto-afirmação desses policiais, que talvez assim sintam-se mais homens. ISSO NÃO DEVERIA EXISTIR, E ENVERGONHA-ME, mesmo que eu não pratique esse ato ou com ele compactue.
    Sabe que estudos revelam que a condição de nudez é fator traumático e inibidor de violência? Incrivelmente sim. Em presídios, isso é utilizado após uma rebelião ou para contê-la, uma vez que semi-nus, os detentos ficam inibidos e se acalmam. Mas são "outros quinhentos", no jargão popular. Agora, no meio das ruas, em público, considero absurdamente desnecessário e criminoso esse ato.
    Quanto aos artigos que nos respaldam, e sua pergunta jamais seria indecorosa ou rebelde, e ainda que rebelde seria respondida, uma vez que a rebeldia é necessária para haver equilíbrio, artigo 244 do Código de Processo Penal e na Constituição Federal em seu artigo 144. Se bem que a leitura dos artigos 240 ao 250 do Código de Processo Penal falam tudo sobre a abordagem, o que juridicamente é chamada de busca pessoal, em homens, mulheres e outros pormenores.
    Com relação a pedir desculpas ao abordado, concordo com você. Qual parte do corpo do policial cairia ao pedir desculpas? "Senhor, quando passávamos com a viatura, o senhor mexeu na cintura, achamos que estivesse armado, mas era seu celular. O Senhor me desculpe, agora vejo que o Senhor é boa gente, boa noite"
    Quantas vezes eu já disse isso, e nenhuma parte de meu corpo caiu!
    Sobre essa abordagem no trânsito, quando você estava com seu irmão: algum motivo os policias encontraram para abordá-lo, SEJA ESSE MOTIVO CERTO OU ERRADO, nõa os estou defendendo nem criticando, pois não vi a abordagem e os argumentos dos policiais. Sobre a empunhadura da arma de fogo no momento da abordagem, é ponto pacífico esse procedimento. O "saque" da arma em uma situação real leva de 1 a 2 segundos, tempo suficiente para diversos disparos de um fuzil contra o policial. A prática revela que muitos saques de arma enroscam no cinturão, no cordão que segura a arma, entre outros. Existe um modelo de abordagem padronizado no Estado de São Paulo. Dois policiais, um aponta a arma para, geralmente, o passageiro, que tem maior chance de estar armado. O outro policial, numa posição chamada "posição sul" - (arma apontada para baixo, segurada com ambas mãos) - verbaliza e determina onde os abordados deverão se posicionar para que seja efetuada a busca.
    O Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo orienta todos seus subordinados a, no mínimo, explicar ao abordado o porquê da busca.
    RAFAEL, é delicado o assunto abordagem. É um Policial, que representa o Estado, que está ali em seu nome para localizar o que há de criminoso. Abordagem é fundamental. Mas quem veste a farda pode errar, e erra.
    Cabe a cada Corporação melhorar seu atendimento, punir os excessos e deixar intrínseco na cabeça de alguns policiais que "não somos mais que ninguém, é um trabalho, ostensivo, mas um trabalho, um trabalho como qualquer outro, e todo trabalho deve ter prudência e legalidade até os ossos".
    É o que penso, e minha resposta aos seu argumentos ficou longa em respeito ao seu interesse, educação, e acima de tudo ao meu dever de esclarecer.
    Sucesso a você e a seus entes.

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  13. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 23:09

    João, explicar o porquê da abordagem é, pelo bom senso, praticamente um dever, pois somos prestadores de serviço público. A escusa é a demonstração, e isso é muito pessoal, da humildade do policial em reconhecer que suspeitou da atitude do indivíduo, errou e reconhece o feito. Mas repito que isso é muito pessoal.
    Respondo sua última pergunta. Há discriminação?
    Deve haver muito. Se o Policial incutiu em sua persoanalidade aversão a negros, a brancos, a idosos, a pobres, a ruivos, a gordos, a magros, entre outros, mesmo que inconscientemente, pode ser levado a ser parcial, o que é incorreto sob a ótica profissional. Aproveitando isso, e já respondendo as suas outras duas perguntas, não existe indivíduo suspeito, e sim indivíduo em atitude suspeita.
    Branco, negro, magro, gordo, ruivo, pobre, rico, por si só é condição de fundada suspeita? NUNCA.
    O critério é estar em "atitude" suspeita. E o que seria isso?
    Exemplifico com três casos em que PARTICIPEI e evoco-os:
    Branco, negro, pobre, rico ou outros, em um calor de 40 graus, trajando blusa de frio, entra em uma farmácia 24 horas, mexe na cintura, olha com aflição para os lados, olha para o alto como que procurando por câmeras. Isso lhe parece suspeito?
    2 horas da manhã, avenida bancária de São Paulo capital, cinco carros em frente a um banco, todos indivíduos negros de camisetas e bermudas, um caixa eletrônico em cima de uma pick up, a viatura chega, todos correm com sacolas nas mãos. Isso lhe parece suspeito?
    Três garotos de aproximadamente 15 anos de idade, 3 horas da tarde, urninando tranquilamente em via pública, pouca gente passa na rua, isso lhe parece suspeito?
    João, essas três perguntas eu lhe respondo, e considero o que é critério quando se fala da abordagem, que juridicamente é chamada de busca pessoal.
    No primeiro caso, EU abordei o indivíduo. Com cautela, educação e energia, prevendo que iria assaltar a farmácia. Ele estava em atitude suspeita, assim considerei. Mas estava com febre e estava na farmácia para comprar remédio. Expliquei-lhe o motivo da abordagem e ele agradeceu.
    Sobre os indivíduos de cor negra com os carros na frente da agência bancária, inclusive um caixa eletrônico em cima de uma caminhonete. Atitude supeita. Eram funcionários do banco, que, agindo em desacordo com as normas da agência, estavam realizando a manutenção dos caixas sem os uniformes ou identificação, mesmo que autorizados a fazê-lo, aliado a não terem cientificado a Polícia pelo 190 do serviço delicado que estavam fazendo, inclusive com remoção de caixa eletrônico. Por instantes, achei que lá haveria um tiroteio.
    Já no terceiro caso, onde três adolescentes estavam calmamente a urinar em um muro em via pública, parei com a viatura para repreendê-los, nem iria abordá-los, pois estavam cometendo pequena irregularidade, entretanto não considerei atitude suspeita. Um deles portava ilegalmnente um revólver calibre 38 e era fugitivo da FEBEM.

    João, a abordagem é puramente subjetiva. O critério é o que chamamos de tirocínio policial, isto é, a capacidade, experiência e bom senso de cada policial em captar o que acontece e o que lhe chama a atenção, que foge às regras do meio em que está.

    E o Senhor deve saber quão difícil é se padronizar algo subjetivo, na profissão que exerce.

    Creio que a abordagem deve ser revestida de prudência e legalidade, enérgica, e não grosseira ou constrangedora, em desfavor de meliantes, profissional na população de bem, sempre acompanhada de educação e por que não de escusas?!

    Creio que a minha resposta foi longa em lealdade ao seu interesse e educação, mesmo porque me é fundamental sua opinião.

    Agradeço e sucesso.

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  14. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 23:23

    Michel, como venho respondendo, a abordagem policial, juridicamente chamada de busca pessoal, deve ter início meio e fim.
    O início é a fundada suspeita, e esta se refere a indivíduo em "atitude" suspeita, pois não existe indivíduo suspeito.
    O meio da busca é o correto posicionamento do policial, a devida verbalização para que o abordado se posicione, que deve ser clara, imperativa, educada, simples e compreensível. A busca visa ao encontro, principalmente, de armas e entorpecentes.
    Uma vez nada encontrado, a abordagem termina com a explicação dos motivos e a devida saudação.
    Nada mais, isso é profissionalismo com prudência e legalidade.
    Excessos devem ser punidos. O policial é representante do Estado naquele momento, mas por baixo da farda existe um homem, e nem todo homem é educado, comunicativo e prima pelo uso do bom senso. Por isso a busca pessoal cai na seara subjetiva.
    Mas Michel, somente você avocou um ponto interessante: cada comunidade tem diferentes níveis de "violência" local, e os procedimentos devem mudar conforme o costume.
    Metrópoles vítimas de extrema violência urbana, como acompanhamos no ano passado em São Paulo e recentemente no Rio de Janeiro, devem ter procedimentos arraigados nas grandes chances de um tiroteio. Mas NUNCA se deve nivelar por baixo, tratando a todos de forma rude porque poucos a merecem.
    Michel, dediquei-me a sua resposta em face de seu interesse e educação.
    Agradeço e sucesso.

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  15. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 23:35

    Existe um tempo aceitável para se consultar nos sistemas da Polícia os antecedentes criminais do averiguado, a situação de sua habilitação e as condições atuais da documentação do veículo. Não posso discutir o tempo que foi levado, porque cada caso é diferenciado por inúmeras circunstâncias.
    Sobre o benefício que você teve quando mencionou ser filho de policial, é conduta de parcialidade, o que é incorreto, e isso é chamado de "apadrianhamento", tão mais comum em cargos políticos.
    Quanto a cervejinha, talvez estivesse exalando odor etílico, o que causou a retenção momentânea. Diversas providências seriam-lhes facultadas. Mas convenhamos que pelo bom senso, todo mundo sabe quando o outro está "bêbado", e pelo que você mencionou, não deveria estar.
    Quanto ao sinal vermelho e seus empecilhos nas madrugadas, caímos de novo no assunto bom senso. Cite-se que na capital paulistana, nas madrugadas, as luzes dos semáforos piscam amarelas em advertência em horários de "perigo" - geralmente madrugadas - em locais que margeiam favelas ou onde se observam roubos.
    Quanto a abordagem, você já disse e ratifico: quando não cessada a possível existência de perigo aos policiais, um aborda e outra fica na segurança.

    Novamente agradeço outra de suas participações Michel. E transmita felicitações ao seu pai.

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  16. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 23:42

    Senhor Delano, existem e são realmente caros os dispositivos para detectar metais, se é o que você quis mencionar, e falham muito esses mecanismos. Mas ainda existem os entorpecentes, e somente cães farejadores e buscas pessoais são capazes de encontrá-los.
    É questão de extremo bom senso, e por isso acho primordial, o que você respondeu. Nada custa ao policial, e é praticamente exigido, que ele explique o porquê da abordagem, e incluo: por que não pedir escusas? "Senhor, quando passávamos com a viatura, o Senhor mexeu na cintura. Achávamos que estivesse armado, mas era seu aparelho celular. O Senhor me desculpe, obrigado e boa noite".
    Não cai nem um pedaço do Policial em dizer isso, é um misto de educação e profissionalismo, em comunhão atingem bons resultados.
    Quanto a sua "tirada de água de joelho", qual homem nunca fez isso? É errado, sim. O Policial deveria repreendê-lo, lógico. Mas existia a necessidade de uso de força física? Presumo que não.
    Ainda bem que você procurou seus direitos.
    Agradeço pela resposta, e sucesso.

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  17. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 23:46

    E o que você pensa assino embaixo. Abordagens truculentas e violentas, quem ganha com isso, o policial ou o abordado? Nenhum, obviamente. Existem dois vocábulos fundamentais nas buscas pessoais: prudência e legalidade. Isso, aliado à educação, que é algo que pode somente ser melhorado, e não ensinado, nos cursos de formação, é boa prestação de serviços a comunidade. E esse é o objetivo.
    Agradeço e sucesso.

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  18. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 23:51

    Marco Aurélio, o que você vive você bem sabe, a grande maioria acompanha confortavelmente sentada em seus sofás pelos televisores.
    A busca pessoal, em TODOS, deve ser feita mediante fundada suspeita, com educação, energia, legalidade e razão. Deve ser finalizada com o porquê da busca.
    Tenho 25 anos de idade, recentemente fui trasferido para o interior de São Paulo, após cerca de 8 anos de serviço na capital.
    Entendo o que é morar ao lado do perigo. Cerque-se de cuidados, pois o Polícia não é onipresente.
    Oramos pela tranquilidade por aí, pois é uma cidade que visitei inúmeras vezes e é muito bom estar no Rio, de gente alegre e bem humorada.
    Agradeço sua resposta e sucesso.

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  19. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    19/04/2004 23:59

    Clarice, o que mais fazer se não concordar em todos os sentidos com sua resposta, que avoca um ponto importantíssimo: base familiar.
    O tema era abordagem policial, que deve ter fundada a suspeita, deve ser prudente, legal, educada, enérgica e efetiva, seguida da explicação do porquê da busca.
    Nossos cursos de formação formam policiais, mas a educação vem dessa base familiar que você citou. Corrupção, violência, má educação e falta de bom senso são adquiridos na vida do ser humano e suas tendências resultam dessas aquisições, entretanto, não me recordo desses maus exemplos terem sido ensinamdos nos bancos escolares. Ingressei na Academnia do Barro Branco e aprendi sobre Leis e Procedimentos Profissionais. Hoje tenho 25 anos, e acredito que posso mudar algo e a Polícia foi minha escolha, mas minha base familiar faz jus a seu título: foi "base".
    Nossa preocupação deve ser voltada para o bom atendimento ao público.
    Minha resposta é cercada de agradecimentos por seu respeito e educação. Sucesso a você.

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  20. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    20/04/2004 05:15

    Desculpe-me, onde se lê "ensinamdos", leia-se "ensinados".

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  21. Josênia Farias | Escrivã de Polícia / Santa Inês/MA
    21/04/2004 09:57

    Caro Tenente Luciano,
    Resolvi emitir minha opinião acerca do assunto por você levantado uma vez que eu também sou policial, além de ser formada em Direito e trabalho em uma Delegacia muito movimentada do interior do Maranhão, em Santa Inês.
    A criminalida aqui aumenta assustadoramente e comungo da opinião de que a busca pessoal em caso de fundada suspeita é imprescindível para a realização do nosso trabalho. Me preocupa muito o fato da falta de tato dos policiais de um modo geral em tratar com a população. Acho que o pedido de desculpas após uma busca pessoal é muito importante inclusive para melhorar a imagem já tão desgastada da polícia e mostrar que nós somos pessoas com eduação e principalmente que respeitamos, além das regras legais, as regras da moral e bons costumes.
    Nunca fui abordada pela polícia, mas já tive que abordar algumas pessoas e sempre que nada era encontrado pedia desculpas pelo incômodo causado.
    Trabalho na sede da Delegacia, já que sou escrivã, e só esporadicamente saio para o trabalho de rua do qual gosto muito(pretendo ser Delegada o mais breve possível). Aqui na Delegacia sempre tento tratar as pessoas com a maior educação possível, até porque elas já chegam ao ambiente policial bastante fragilizadas, mas de vez em quando as pessoas conseguem nos tirar do sério, abusando da nossa gentileza. Outro dia mesmo uma senhora queria que eu fizesse um procedimento policial contra um rapaz por um caso que nada de criminoso tinha. Tentei de todas as formas explicar a ela que o caso não era da alçada da polícia, e ela, descontroladamente, me agredia verbalmente, perdi o controle e passei o dia inteiro me sentindo muito mal com aquela situação, se já soubesse de você teria escrito, até mesmo como uma forma de desabafo com uma pessoa que certamente entenderia o que eu estava passando. De qualquer forma agora sei que já posso contar essas coisas para alguém que me entenderá, ou ao menos me escutará.
    Um grande abraço.
    Josênia

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  22. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    21/04/2004 15:51

    Josênia, compartilho de sua opinião sobre a necessidade da busca pessoal, e acrescento - jamais me caiu qualquer pedaço do corpo ao pedir escusas após uma abordagem: "Meu senhor, nós suspeitamos da atitude do senhor por causa disso, disso e disso, mas nos enganamos. Peço desculpas e tenha uma boa noite". Pessoalmente é sinal de humildade, profissionalmente sinal de boa prestação de serviço à sociedade por completo, e ponto.
    Sobre essa situação, sabemos quão difícil é lidar com pessoas ignorantes. Ignorantes em vários sentidos, seja jurídico, emocional ou outros. Quantos casos extremos nos obrigam a olhar para o alto em gesto de paciência e relevar muitas coisas. Se fôssemos traduzir ao pé da letra os comentários que por vezes ouvimos, a cada dez minutos pessoas seriam conduzidas às Delegacias por Desobediência, Resistência ou por Desacato. Delicada a situação que você avocou. Como Comando Noturno, função que exerço há anos, compreendo seu posicionamento. Certa feita policiais me acionaram para apoio, tamanha ridicularidade da ocorrência: o cão pertencente a sua vizinha latia muito de madrugada. A solicitante não queria que conversássemos com a dona do cão, mas exigia, com xingamentos, que "matássemos" o cachorro e prendêssemos, após "bater muito", a vizinha. Oras, engraçado seria, jagunços seríamos, quatro policiais que deveriam estar realizando o policiamento para causas maiores, empenhados em agredir uma mulher, sacrificar um animal e prendê-la porque este latia freneticamente. Caberia aqui o princípio da insignificância? Descontente com nossa orientação e solução imediata do problema (a dona do cão o prendeu e fez com que se quietasse), foi à Delegacia e irritou Escrivão, Investigador e Delegado com seus devaneios infames. Por fim, conseguiu repetir a feita irritando quase todo o Ministério Público com suas reclamações altamente infundadas.
    Muitas vezes, Josênia, somos obrigados a vestir camisas de tolerância para não vestirmos as de força!!!
    Parabéns pela sua paciência em seu caso, a paciência não é sinal de fragilidade do policial, mas sim bom senso e experiência, acima de tudo inteligência.
    Parabenizo-a também pelo seu interesse em evoluir na carreira. Costumo dizer aos amigos da Polícia Civil e aos da Militar que, feito o formado em direito, que tem oportunidades de seguir inúmeros ramos, assim nós também temos, e devemos tentar, ao menos.
    Prudência e legalidade, no cenário atual, creio serem mais importantes que as próprias hierarquia e disciplina, que à luz de nossos regulamentos são bem simples de serem aplicadas.
    Minha resposta só foi extensa em respeito a seu interesse e educação. Transmita abraços ao pessoal daí, e saiba que o sufoco do aumento da violência é geral. Cuidemos de nossa parte feito você.
    Mais abraços e sucesso.

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  23. Anibal Marques | Empresário / Rio de Janeiro
    25/04/2004 14:20

    Lamentavelmente a cultura do povo brasileiro é muito pobre. É um povo que acredita nos pais de santo, na cartomante, nos pastores e nos políticos. Sabendo de tanta imundicie que rola nos corredores do coongresso nacional, é querer tampar o sol com a peneira para discutir se os exemplos que o povo recebe da cúpula governamental traz segurança e privacidade entre os brasileiros. Claro que não! Doido, seria o policial que não tivesse os cuidados necessários em abordar o brasileiro. É necessário e relevante que todo cidadão seja abordado por se tratar de um país onde a consciência plena do reto gir e do reto fazer é toltamente ignorada pelos seus politicos. Não merecemos uma disciplina coesa vinda dos policiais militares no que tange a abordagem! Prove quem você é que a vida do policial até então corre risco! Se desculpar porque? Se desculpar que ele está preservando a sua vida. Isso não existe! É constrangendor, sem dúvida! Mas temos que aceitar que quem com porco se mistura farelo come.

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  24. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    26/04/2004 13:20

    Senhor Aníbal, costumeiramente respondo a todos, e o assunto é delicado.
    Seu posicionamento é forte quanto à questão cultural, e isso não discuto: são pontos de vistas.
    Mas o Senhor, como Empresário, é potencial vítima de crimes contra a vida, pois conquistou, presumo, bens materiais, e estes são matéria-prima do veículo criminal que se edificou no Brasil.
    E agrave-se pelo fato de o Senhor residir no Estado, ladeado por São Paulo, em que se notam os maiores índices de crimes no Brasil, o Rio de Janeiro.
    Em uma dessas minhas respostas, salientei bem que cada lugar tem sua realidade, e se nos EUA os policiais têm suas viaturas, as quais podem levar para suas casas, salários acima de 1800 dólares, nível escolar superior obrigatório, há de se falar em uma realidade totalmente oposta ao do policial que enfrenta uma guerrilha urbana nas ruas do Rio de Janeiro.
    E ainda assim, o Senhor já acompanhou o que fazem cinco ou mais policiais norte-americanos quando capturam um mero suspeito? Deitam-no ao solo, algemam-no e o conduzem com extrema energia ao Distrito Policial, a chamada "Tolerância Zero", que diminuiu em muito a onda de crimes novaiorquinos, por exemplo.

    Quanto ao tema do debate, refiro-me ao pedido de desculpas como uma forma cordial de desfechar o trabalho feito. Nada de escusas como se o policial tivesse cometido o maior pecado do mundo, não quis dizer isso. Sabe quando alguém nos esbarra e cai seu próprio copo, nós não tivemos culpa, ele foi o culpado, e nós somos quem pedimos desculpas?
    Não que seja esse o caso, mas são desculpas "cortesas", digamos, demonstração de cultura, o que tanto nos falta, conforme comentou.

    Senhor Aníbal, minha resposta foi detalhada, assim espero, em agradecimento a sua educação e interesse.
    Contribuiu para mim, espero ter auxiliado também em algo.

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  25. Rogério | estudante / Curitiba
    29/04/2004 16:43

    Respostas:
    1) Não há outro meio eficaz, a abordagem pessoal é a que melhores resultados produz.
    2) Explicar o motivo com certeza, mas desculpas creio que não, é o trabalho do policial.
    3)Nunca fui abordado.
    4) Idem.
    Gostaria de dizer que existem os excessos e nunca, NUNCA mesmo haverá mudança, pois até em países de 1º mundo, civilizados e coisa e tal, acontecem os absurdos. Mas acho interessante colocar que a grande parcela da sociedade coopera nestas atitudes, porque como colocado em outra resposta tem pessoas que se acham muito importantes que não podem ser revistas e nesta insistência e ofensas ao policial e ao seu trabalho ocorrem as detenções, havendo resistências etc, ou seja, uma medida eficaz que o policial DEVE impor para ACABAR com aquela atitude inconveniente, a policia usa da força (ato amparado legalmente) aí colocam em horário nobre que foi um excesso, truculência etc.
    Quero relatar um caso de milhões que já vi e que foi noticiado aqui no Paraná: Uma blitz na região de Londrina, ora com certeza vários carros foram parados e em uma, apenas UMA abordagem deu problema. O condutor de um veículo está acusando os policiais de abuso, agressão e tortura em plena via pública, pois ele é trabalhador e estava indo buscar um remédio para o filho doente. Deixamos de ser hipócritas, PORQUE SOMENTE ESTE MOTORISTA TEVE UM TRATAMENTO DIFERENTE, será que ele não tem parcela de culpa, ofensa, desobediência, resistência...
    Fica no ar...
    Abraços.

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  26. Luciano Quemello Borges | Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo / Barretos
    08/05/2004 04:50

    Sou extremamente grato pela resposta, ela engrandece a melhoria de nossos serviços.

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  27. Marques | Rio de Janeiro/RJ
    06/07/2009 17:07

    Sr. Luciano, sou novo neste site e gostaria de saber se o senhor ainda o visita e participa destes debates.
    Obrigado!
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  28. Centurião
    27/10/2009 15:23

    Sr Luciano! Concordo com as colocações supra. Sou policial em Minas e trabalho em uma região "nobre" da capital mineira. Ao realizar uma abordagem e busca pessoal procuro evitar ao máximo o constrangimento da pessoa abordada; graças a Deus a maioria dos abordados são pessoas idôneas; porém, como o Sr relatou há muitos infratores misturados em meio a sociedade ordeira e somente através de uma abordagem o policial irá identificar e retirar o joio do trigo. Apreendi muitas armas de fogo através de uma abordagem de iniciativa e em alguns casos evitamos assaltos antecipando a ação de marginais e em alguns casos o abordado levou a mão na cintura ou no bolso para apanhar documentos e em outros tentou sacar uma arma de fogo; graças a Deus não houve trajédias, recuperamos vários pertences de vítimas e muitas ocorrências foram solucionadas devido a uma abordagem de iniciativa. Se vc for abordado procure cooperar com o policial; mantenha as mãos para cima e deixe para mostrar os documentos quando o policial lhe pedir. Vc acha que o policial tem prazer em abordar desconhecidos, e numa busca apalpar marmanjos muitas vezes fedidos e correndo o risco de contrair uma doença! O salário do policial continua o mesmo an bordando ou não; se ele deixar de abordar os riscos de um confronto com o marginal seria mínimo e o jargão " Não vou colocar as mãos para cima, não sou bandido; ou sou filho de fulano... ou sou estudante de direito e conheço as leis.." também seriam evitados; contudo o PM aborda porque sabe que é uma medida eficaz no combate a criminalidade. Eu continuo abordando, reduzi em muito as abordagens neste ano devido a relutancia do cidadão de bem durante a execução da abordagem, interessante que apreendi muitas armas de fogo nos anos anteriores e este ano não apreendi nenhuma; estou esperando alguém denunciar para que ocorra "a fundada suspeita". Do ano de 2004 até hoje a minha guarnição realizou 126 prisões e aprensões decorrentes de uma abordagem de iniciativa como forma de prevenir delitos.
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  29. FAULHABER
    28/10/2009 06:07

    Senhor Tenente, primeiramente gostaria gostaria de cumprimentar vossa senhoria, sou policial em Minas Gerais e já sofri varias vezes questionamentos quando realizo abordagens, mas como profissional e prestador de segurança publica tenho que estar pronto para responder aos questionamentos com sabedoria e inteligencia, respeitando o direito do cidadão, mas também fazendo com que ele me respeite e intenda a complexidade do meu serviço. pois como o senhor disse, a pessoa pode ser um cidadão de bem, mas pode ser um marginal de alta periculosidade. e aqui em minha cidade já desmantelamos uma refinaria de cocaína em uma casa de luxo, em uma area nobre, pessoas acima de qualquer suspeita.respondendo:

    1- não tem outro meio, é legal, é legitimo e necessário. Se não abordamos, não prendemos os infratores. Foi o povo que criou a lei eu só a cumpro.

    2-quando abordo, abordo como manda os normas de minha instituição, se houver necessidade, vou ficar com arma em punho, mandar o cidadão deitar no chão, ajoelhar, ou ficar em pé, vai depender do grau de risco que EU avaliar no momento, assim como preceitua o DIREITOS HUMANOS. Quem conhece sabe que que os direitos humanos, mandam o policial apos avaliar os riscos, mandar sim o cidadão deitar, ajoelhar. E depois se não constatar nada em desfavor do cidadão, será explicado o motivo da abordagem, e se mesmo assim o cidadão achar que algo foi feito errado, ele DEVE procurar os caminhos legais para a devida reclamação da ação policial, mas no meu caso se o abordado dizer que irá reclamar, eu aconselho, pois como sei que minha atitude foi legal e dentro dos preceitos, apos a apuração regressarei uma ação por danos morais contra o reclamante infundado.

    3- Sim já fui abordado, inclusive me encontrava armado, e fui tratado como manda as normas.

    MAS SEMPRE ENFATIZO, REPEITE O CIDADÃO, PARA QUE ELE POSSA ACREDITAR E RESPEITAR A POLICIA.

    Att
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